Se o Tesouro Direto é o “empréstimo para o governo”, o CDB é o primo dele que empresta dinheiro para o banco. E assim como acontece com o Tesouro, muita gente já ouviu falar, sabe que costuma render mais que a poupança, mas trava quando chega a hora de investir.
A boa notícia é que entender um CDB é muito mais simples do que parece. Você não precisa conhecer fórmulas complicadas nem acompanhar a Bolsa de Valores todos os dias. Basta entender como ele funciona, quais são seus tipos e como escolher a opção mais adequada para o seu objetivo.
Neste guia, você vai descobrir o que é um CDB, por que ele costuma render mais que a poupança, como funciona a proteção do FGC, quais são os principais tipos disponíveis e o que observar antes de investir o seu dinheiro.
O que é um CDB, afinal?
CDB significa Certificado de Depósito Bancário.
Traduzindo para o português claro: é um empréstimo que você faz para um banco.
Funciona assim: o banco precisa de dinheiro para financiar empréstimos, financiamentos e diversas operações do dia a dia. Em vez de buscar esse dinheiro apenas em outras instituições financeiras, ele também pode captar recursos de pessoas físicas por meio do CDB.
Em troca desse empréstimo, o banco paga juros ao investidor.
Na prática, acontece exatamente isto:
- você aplica seu dinheiro;
- o banco utiliza esse recurso;
- depois de um período, devolve o valor investido acrescido dos juros.
É o mesmo princípio do Tesouro Direto. A diferença é que, no Tesouro, você empresta dinheiro para o Governo Federal. No CDB, você empresta para um banco.
Um exemplo simples
Imagine que um banco precise captar recursos para conceder financiamentos imobiliários.
Em vez de pegar todo esse dinheiro emprestado de outras instituições, ele oferece um CDB pagando uma boa rentabilidade.
Você investe R$ 5.000 nesse CDB.
O banco utiliza esse dinheiro nas suas operações e, ao final do prazo combinado, devolve seus R$ 5.000 mais os juros acordados.
Você ganha pelos juros. O banco consegue dinheiro para trabalhar. Os dois saem ganhando.
CDB é seguro?
Sim.
O grande responsável por essa segurança chama-se FGC (Fundo Garantidor de Créditos).
O FGC funciona como uma espécie de seguro para determinados investimentos de renda fixa.
Caso um banco participante venha a quebrar, o Fundo Garantidor devolve ao investidor o dinheiro aplicado, respeitando o limite de cobertura.
Atualmente, essa garantia é de até R$ 250 mil por CPF e por instituição financeira, considerando principal e rendimentos.
Isso significa que, se você tiver R$ 100 mil investidos em um CDB de um banco coberto pelo FGC e esse banco deixar de honrar seus compromissos, o fundo faz o ressarcimento dentro das regras estabelecidas.
É justamente essa proteção que faz do CDB um dos investimentos de renda fixa mais seguros disponíveis no mercado.
Posso investir mais de R$ 250 mil?
Pode.
Mas, nesse caso, muitos investidores preferem dividir o dinheiro entre bancos diferentes para manter toda a quantia protegida pelo FGC.
É uma estratégia simples que aumenta a segurança sem complicar a carteira de investimentos.
Por que o CDB costuma render mais que a poupança?
Essa é uma das principais razões para a popularidade do CDB.
A poupança possui uma forma de remuneração definida por regras específicas e, historicamente, costuma render menos do que muitos CDBs disponíveis no mercado.
Já os bancos competem entre si para atrair investidores.
Quanto mais um banco precisa captar recursos, maior costuma ser a remuneração oferecida.
Por isso, principalmente em bancos médios e digitais, é comum encontrar CDBs pagando 100%, 105%, 110% ou até mais do CDI.
Na prática, isso costuma significar um rendimento superior ao da poupança ao longo do tempo.
O que é o CDI?
Se você pesquisar qualquer CDB, provavelmente encontrará expressões como:
- 100% do CDI;
- 105% do CDI;
- 110% do CDI.
O CDI é uma taxa de referência muito utilizada pelos investimentos de renda fixa.
De maneira simplificada, ela acompanha bem de perto a taxa Selic.
Quanto maior o percentual do CDI oferecido por um CDB, maior tende a ser sua rentabilidade.
É por isso que comparar apenas o nome do investimento não basta. Vale sempre conferir também o percentual do CDI oferecido.
Os principais tipos de CDB
Nem todo CDB funciona da mesma forma.
Conhecer as diferenças ajuda bastante na hora de escolher.
CDB Pós-fixado
É o mais comum.
Sua rentabilidade acompanha um indicador, normalmente o CDI.
Quando o CDI sobe, o rendimento acompanha.
Costuma ser a opção mais indicada para quem está começando.
CDB Prefixado
Aqui a taxa é definida no momento da aplicação.
Você já sabe exatamente quanto receberá no vencimento, desde que mantenha o investimento até o fim do prazo.
É uma boa alternativa para quem busca previsibilidade.
CDB com liquidez diária
Permite sacar o dinheiro praticamente a qualquer momento.
Por causa dessa flexibilidade, costuma ser bastante utilizado para formar a reserva de emergência.
Embora possa render um pouco menos que alguns CDBs de prazo fechado, oferece tranquilidade para quem pode precisar do dinheiro inesperadamente.
CDB com vencimento
Nesse tipo, o dinheiro fica aplicado até uma data previamente definida.
Como o banco sabe que poderá contar com aquele recurso durante todo o período, normalmente oferece uma rentabilidade maior.
Se você não pretende utilizar o dinheiro antes do vencimento, essa pode ser uma boa escolha.
Como escolher um bom CDB
Antes de investir, vale observar alguns pontos importantes.
Defina seu objetivo
Vai montar uma reserva de emergência?
Guardar dinheiro para uma viagem?
Comprar um carro daqui a alguns anos?
Cada objetivo combina melhor com um tipo diferente de CDB.
Compare as taxas
Não escolha o primeiro CDB que aparecer.
Comparar as taxas entre diferentes bancos pode fazer bastante diferença no rendimento final.
Alguns minutos de pesquisa hoje podem representar um ganho maior no futuro.
Observe a liquidez
Pergunte a si mesmo:
“Posso precisar desse dinheiro antes do vencimento?”
Se a resposta for sim, um CDB com liquidez diária provavelmente será mais adequado.
Confira a cobertura do FGC
Verifique se a instituição financeira participa do Fundo Garantidor de Créditos.
A maioria participa, mas sempre vale conferir antes de investir.
Como investir em um CDB
Hoje em dia, investir em CDB é um processo bastante simples.
Basicamente, você precisa seguir estes passos:
- Escolha um banco ou corretora.
- Abra sua conta gratuitamente.
- Transfira o valor que deseja investir.
- Escolha o CDB que melhor atende ao seu objetivo.
- Confirme a aplicação.
Pronto.
Em poucos minutos seu dinheiro já começa a render.
CDB ou poupança: qual escolher?
Ambos são investimentos simples, mas existem diferenças importantes.
| Característica | CDB | Poupança |
|---|---|---|
| Rentabilidade | Geralmente maior | Geralmente menor |
| Proteção do FGC | Sim | Sim |
| Liquidez | Depende do investimento | Imediata |
| Imposto de Renda | Sim | Não |
| Indicado para | Diversos objetivos | Simplicidade |
Apesar da poupança ser bastante conhecida, o CDB costuma entregar uma rentabilidade superior sem aumentar significativamente o nível de risco, desde que o investimento esteja protegido pelo FGC.
É justamente por isso que tantos investidores utilizam o CDB como a porta de entrada para o mercado financeiro.
Imposto de Renda no CDB
Assim como acontece com o Tesouro Direto, o CDB possui cobrança de Imposto de Renda sobre os rendimentos.
A boa notícia é que você não precisa calcular absolutamente nada.
O próprio banco ou corretora faz o desconto automaticamente no momento do resgate.
Além disso, existe uma vantagem interessante: quanto maior o tempo que o dinheiro permanece investido, menor será a alíquota do imposto.
| Prazo | Alíquota |
|---|---|
| Até 180 dias | 22,5% |
| De 181 a 360 dias | 20% |
| De 361 a 720 dias | 17,5% |
| Acima de 720 dias | 15% |
Esse é um dos motivos pelos quais investimentos de longo prazo costumam ser mais eficientes.
Erros comuns de quem está começando
Alguns erros aparecem com frequência entre os investidores iniciantes.
Escolher apenas pela maior taxa
Nem sempre o CDB que oferece a maior rentabilidade é o mais adequado para o seu objetivo.
Prazo e liquidez também precisam entrar na conta.
Resgatar antes da hora
Alguns CDBs podem perder parte da rentabilidade prevista quando são resgatados antes do vencimento.
Por isso, procure investir apenas o dinheiro que realmente poderá permanecer aplicado durante aquele período.
Ignorar o FGC
Antes de investir valores mais altos, confirme sempre se a instituição está coberta pelo Fundo Garantidor de Créditos e respeite os limites de garantia.
Esquecer dos objetivos financeiros
Investir apenas porque “está rendendo bem” raramente é uma boa estratégia.
Primeiro defina o objetivo. Depois escolha o investimento.
Vale a pena investir em CDB?
Para quem está começando, a resposta costuma ser sim.
O CDB é um investimento simples de entender, pode ser iniciado com valores relativamente baixos, conta com a proteção do FGC (dentro dos limites estabelecidos) e na maioria das situações, oferece uma rentabilidade superior à da poupança.
Isso não significa que ele seja o melhor investimento para todas as pessoas ou para todos os objetivos. O ideal é escolher um CDB que faça sentido para o seu planejamento financeiro.
Se você ainda está dando os primeiros passos no mundo dos investimentos, o CDB pode ser uma excelente forma de começar com segurança e aprender, aos poucos, como fazer o seu dinheiro trabalhar a seu favor.
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